By WeB!

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Oficina FOTOPOÉTICA

Correspondências

A Natureza é um templo onde vivos pilares

Deixam às vezes sair confusas palavras;

O Homem atravessa florestas de símbolos

Que o observam com olhares familiares.

Como longos ecos de longe se confundem

Dentro de tenebrosa e profunda unidade

Tão vasta como a noite e a claridade,

Os perfumes, as cores, os sons se correspondem.

Perfumes de frescor tal a carne de infantes,

Suaves iguais oboés e verdes iguais os prados,

- E outros, corrompidos, ricos e triunfantes,

Possuindo a expansão de coisas infindas,

Tal qual âmbar, almíscar, benjoim, incenso,

Que cantam o êxtase do espírito e dos sentidos.

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FAMÍLIA
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu… Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro… que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
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TRANSVERSAIS
Girassol
Aquele girassol no jardim público de Palmira.
Ias de auto para Juiz de Fora; a gasolina acabara;
havia um salão de barbeiro; um fotógrafo; uma igreja; um menino parado;
havia também, entre vários, um girassol. A moça passou.
Entre os seios e o girassol tua vontade ficou interdita.
Vontade garota de voar, de amar, de ser feliz, de viajar, de casar, de ter muitos filhos;
vontade de tirar retrato com aquela moça, de praticar libidinagens, de ser infeliz e rezar;
muitas vontades; a moça nem desconfiou…
Entrou pela porta da igreja, saiu pela porta dos sonhos.
O girassol, estúpido, continuou a funcionar.
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Os mortos de Sobrecasaca
Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis, 
alto de muitos metros e velho de infinitos minutos. 
em que todos se debruçavam 
na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca. 
Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes 
e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos retratos. 
Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava, 
que rebentava daquelas páginas.
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CIDADE
Cota Zero
Stop.
A vida parou
ou foi o automóvel?
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POESIA PARTICIPANTE
Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
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METAFÍSICA
Boitempo
Entardece na roça
de modo diferente.
A sombra vem nos cascos,
no mugido da vaca
separada da cria.
O gado é que anoitece
e na luz que a vidraça
da casa fazendeira
derrama no curral
surge multiplicada
sua estátua de sal,
escultura da noite.
Os chifres delimitam
o sono privativo
de cada rês e tecem
de curva em curva a ilha
do sono universal.
No gado é que dormimos
e nele que acordamos.
Amanhece na roça
de modo diferente.
A luz chega no leite,
morno esguicho das tetas
e o dia é um pasto azul
que o gado reconquista.
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AMOR E IRONIA
Necrológio dos desiludidos do amor
Os desiludidos do amor 
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais. 
Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos
seja no claro céu ou turvo inferno. 
Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia. 
Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados competentemente
(paixões de primeira e segunda classe). 
Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles. 
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POESIA DA MADUREZA
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
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AMOR NATURAL
Em teu crespo jardim, anêmonas castanhas
detêm a mão ansiosa: Devagar.
Cada pétala ou sépala seja lentamente
acariciada, céu; e a vista pouse,
beijo abstrato, antes do beijo ritual,
na flora pubescente, amor; e tudo é sagrado.
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So Far Away - Avenged Sevenfold
Never feared for anything,
Never shamed but never free
A life that healed a broken heart
with all that it could
Lived a life so endlessly
Saw beyond what others see
I tried to heal your broken heart
With all that I could
Will you stay?
Will you stay away forever?
How do I live without the ones I love?
Time still turns the pages of the book it’s burned
Place and time always on my mind
I have so much to say but you’re so far away
Plans of what our futures hold
Foolish lies of growing old
It seems we’re so invincible
But the truth is so cold
A final song, a last request
A perfect chapter laid to rest
Now and then I try to find a place in my mind
Where you can stay
You can stay awake forever
How do I live without the ones I love?
Time still turns the pages of the book it’s burned
Place and time always on my mind
I have so much to say but you’re so far away
Sleep tight, I’m not afraid
The ones that we love are here with me
Lay away a place for me
‘Cause as soon as I’m done I’ll be on my way
To live on eternally
How do I live without the ones I love?
Time still turns the pages of the book it’s burned
Place and time always on my mind
And the light you left remains but it’s so hard to
stay
When I have so much to say and you’re so far away…
I love you
You were ready
The pain is strong and urges rise
But I see you
when it lets me
Your pain is gone, your hands untied
So far away
And I needed to know
So far away
And I need you to
Need you to know
—————————————————————————-
No meu filme, a mocinha pega o avião e parte. Antes de ouvir e saber o quanto era importante e querida.

So Far Away - Avenged Sevenfold

Never feared for anything,

Never shamed but never free

A life that healed a broken heart

with all that it could

Lived a life so endlessly

Saw beyond what others see

I tried to heal your broken heart

With all that I could

Will you stay?

Will you stay away forever?

How do I live without the ones I love?

Time still turns the pages of the book it’s burned

Place and time always on my mind

I have so much to say but you’re so far away

Plans of what our futures hold

Foolish lies of growing old

It seems we’re so invincible

But the truth is so cold

A final song, a last request

A perfect chapter laid to rest

Now and then I try to find a place in my mind

Where you can stay

You can stay awake forever

How do I live without the ones I love?

Time still turns the pages of the book it’s burned

Place and time always on my mind

I have so much to say but you’re so far away

Sleep tight, I’m not afraid

The ones that we love are here with me

Lay away a place for me

‘Cause as soon as I’m done I’ll be on my way

To live on eternally

How do I live without the ones I love?

Time still turns the pages of the book it’s burned

Place and time always on my mind

And the light you left remains but it’s so hard to

stay

When I have so much to say and you’re so far away…

I love you

You were ready

The pain is strong and urges rise

But I see you

when it lets me

Your pain is gone, your hands untied

So far away

And I needed to know

So far away

And I need you to

Need you to know

—————————————————————————-

No meu filme, a mocinha pega o avião e parte. Antes de ouvir e saber o quanto era importante e querida.

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Palavras e suas necessidades.

Necessidades de serem escritas, lidas, ouvidas, expressadas..

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Para entendermos nosso potencial.. não basta só olhar pra frente.. ás vezes é necessário olhar pra trás e lembrar que ele ainda ta lá!

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e chega o momento. que só nos resta. acenar e desejar. boa sorte, boa vida. 

e esperar um novo bilhete.